Mensalidade de medicina: o que os editais realmente cobram
Mensalidades de medicina extraídas de editais e tabelas oficiais, com o ano de referência — e o que explica a diferença de 124% entre a menor e a maior.
Neste guia
- Quanto custa, segundo os próprios editais?
- O que explica uma diferença de 124%?
- Qual o tamanho real do compromisso?
- O Fies cobre quanto disso?
- Por que não surgem cursos novos para baixar o preço?
- Perguntas frequentes
- Esses valores já incluem desconto?
- Por que faltam faculdades conhecidas nesta lista?
- A matrícula é cobrada além da mensalidade?
- Existe faculdade de medicina a distância?
- Como apuramos e o que esta análise não cobre
- Fontes consultadas
As mensalidades de medicina em instituições privadas que conseguimos verificar em documento oficial vão de R$7.041,95 a R$15.777,76. A diferença entre a menor e a maior é de 124%. O que separa as duas pontas não é qualidade declarada: é região, momento do edital e política de desconto. Nenhum valor abaixo foi estimado — todos vêm de edital ou tabela publicada pela própria instituição.
Quanto custa, segundo os próprios editais?
A tabela abaixo reúne valores integrais, sem desconto de pontualidade, tal como publicados. A coluna de referência importa tanto quanto o valor: um número de 2025 não é comparável a um de 2027 sem correção.
O contraste entre as duas pontas é a informação mais útil da tabela: R$8.735,81 de diferença por mês entre a menor e a maior mensalidade publicada em edital. Ao longo de um curso organizado em doze semestres, isso equivale a mais de R$600 mil — sem contar reajuste.
O contraste entre as duas pontas é a informação mais útil da tabela: R$8.735,81 de diferença por mês entre a menor e a maior mensalidade verificada. Ao longo de um curso organizado em doze semestres, isso equivale a mais de R$600 mil.
O que explica uma diferença de 124%?
- Região — os menores valores da nossa coleta estão em Goiás e Sergipe; os maiores, na Grande Rio e no interior paulista;
- Momento do edital — valores marcados como 2027/1 já embutem o reajuste que os de 2025 ainda não sofreram;
- Política de desconto — algumas instituições publicam o valor cheio e o de pontualidade lado a lado, com diferença de centenas de reais;
- Estrutura de prática — hospital próprio, laboratório de simulação e convênio de internato pesam no custo da operação.
Vale um alerta de leitura: um edital da UNIT informa expressamente que o valor citado foi o praticado em 2025 e que a semestralidade de 2026 seria publicada depois, conforme a Lei nº 9.870/1999. Esse tipo de ressalva aparece em vários editais e muda a comparação entre um valor de 2025 e outro de 2027.
Qual o tamanho real do compromisso?
A Resolução CNE/CES nº 3, de 30 de setembro de 2025, que substituiu as diretrizes de 2014, fixa carga horária mínima de 7.200 horas para o curso. Ela não estabelece duração em anos: o que a resolução exige é que o internato corresponda a no mínimo 35% da carga total, com duração mínima de dois anos.
| Cenário | Mensalidade | Total em 72 meses |
|---|---|---|
| Menor valor verificado | R$7.041,95 | R$507.020,40 |
| Mediana da nossa coleta | R$12.595,74 | R$906.893,28 |
| Maior valor verificado | R$15.777,76 | R$1.135.998,72 |
Simulamos essa conta com reajuste na calculadora de custo total do curso, e a composição anual é o que assusta: em cursos longos, o reajuste sozinho costuma superar o valor de várias mensalidades.
O Fies cobre quanto disso?
Menos do que a mensalidade cheia, na maioria dos casos verificados. A Resolução CG-Fies nº 63/2025 instituiu um teto semestral de financiamento específico para Medicina: R$78.000,00 por semestre, ante R$42.983,70 para os demais cursos.
Dividido por seis meses, o teto do Fies equivale a R$13.000,00 mensais. Comparando com a nossa tabela: ele cobre integralmente nove das doze instituições listadas, e fica abaixo do valor cheio nas três mais caras. Quem entra por bolsa em vez de financiamento precisa checar antes as regras de renda do ProUni, que trabalha em salários mínimos.
Quem depende do Fies precisa olhar essa linha antes da nota de corte. A diferença entre a mensalidade e o teto não desaparece — ela vira decisão sobre como pagar.
Por que não surgem cursos novos para baixar o preço?
Porque a via administrativa está fechada desde fevereiro de 2026. A abertura de curso de Medicina em instituição privada depende de chamamento público conduzido pelo MEC, exigência da Lei nº 12.871/2013 confirmada pelo Supremo Tribunal Federal em 2024.
O edital de chamamento lançado em 2023, que previa até 95 novos cursos, foi revogado pela Portaria MEC nº 129, de 9 de fevereiro de 2026. Sem chamamento ativo, não há caminho administrativo aberto para novas autorizações.
Some a isso o Decreto nº 12.456/2025, que no art. 8º determinou que Medicina seja ofertada exclusivamente no formato presencial. Oferta travada pela Lei nº 12.871/2013 e modalidade restrita pelo decreto são, juntas, o que sustenta o patamar de preço observado na tabela. Quem já tem outro diploma e pensa em migrar encontra o mesmo teto: as regras estão no guia do segundo diploma.
Perguntas frequentes
Esses valores já incluem desconto?
Não. A tabela traz valores integrais, tal como publicados em edital ou tabela oficial. Algumas instituições divulgam também o valor com desconto de pontualidade, que costuma ficar de 5% a 10% abaixo. Na UniRV, por exemplo, o edital informa R$7.041,95 integral e R$6.572,25 com desconto.
Por que faltam faculdades conhecidas nesta lista?
Porque só entram valores que conseguimos verificar em documento oficial. Vários editais consultados simplesmente não publicam mensalidade, e vários rankings que circulam não identificam a origem dos números. Preferimos uma lista menor e verificável a uma lista completa e sem fonte.
A matrícula é cobrada além da mensalidade?
Em geral ela corresponde à primeira mensalidade do semestre, e costuma ser cobrada pelo valor integral, sem desconto de pontualidade. Na prática, isso significa que um dos seis pagamentos de cada semestre sai mais caro que os demais — detalhe que raramente aparece na comparação de preço.
Existe faculdade de medicina a distância?
Não existe e não pode existir. O art. 8º do Decreto nº 12.456/2025 determina que a graduação em Medicina seja ofertada exclusivamente no formato presencial, e a Resolução CNE/CES nº 3/2025 repete a exigência. Qualquer oferta de curso de Medicina a distância é irregular.
Como apuramos e o que esta análise não cobre
Fontes consultadas
- Resolução CNE/CES nº 3, de 30 de setembro de 2025 — novas diretrizes curriculares da graduação em Medicina: fixa 7.200 horas e exige oferta presencial
- Decreto nº 12.456, de 19 de maio de 2025 — novo marco da educação a distância na graduação: define formatos de oferta, percentuais de presencialidade e cursos vedados
- Agência Gov — teto do Fies para Medicina — divulgação oficial do limite semestral de financiamento fixado pela Resolução CG-Fies nº 63/2025
- Agência Brasil — MEC revoga edital de novos cursos de Medicina — noticia a Portaria MEC nº 129/2026, que encerrou o chamamento público para novos cursos privados
- Cadastro Nacional de Cursos e Instituições — e-MEC — base oficial onde se confere o credenciamento da instituição e o reconhecimento do curso
Consultamos cada uma destas fontes diretamente e verificamos os links em 21 de agosto de 2026. Quando a regra citada mudar na fonte oficial, atualizamos este texto e registramos a data da revisão.
