Quanto custa se formar em medicina, do vestibular ao diploma
A conta completa da graduação em medicina: mensalidades com reajuste, taxas de vestibular, matrícula integral, internato e o que o Fies cobre de tudo isso.
Neste guia
- Quanto pesam só as mensalidades?
- O que entra antes da primeira aula?
- E o internato, quem paga?
- O Fies cobre quanto do total?
- Depois do diploma, a conta continua?
- Perguntas frequentes
- Existe faculdade de medicina gratuita?
- O reajuste de 6% ao ano é o que as faculdades praticam?
- Dá para trabalhar durante o curso de medicina?
- O valor da bolsa de residência é o mesmo em todo o país?
- Como apuramos e o que esta análise não cobre
- Fontes consultadas
Somando apenas as mensalidades verificadas em editais e tabelas oficiais, com reajuste anual de 6%, formar-se em medicina custa de R$589 mil a R$1,32 milhão em doze semestres. O reajuste sozinho responde por R$82 mil a R$185 mil desse total. Taxas de vestibular, matrícula cobrada pelo valor cheio e custos do internato entram por fora dessa conta.
Quanto pesam só as mensalidades?
A Resolução CNE/CES nº 3/2025 fixa carga horária mínima de 7.200 horas para o curso e exige que o internato corresponda a pelo menos 35% desse total, com duração mínima de dois anos. Na organização praticada, isso são doze semestres — 72 mensalidades.
| Cenário | Mensalidade inicial | Sem reajuste | Com reajuste | Peso do reajuste |
|---|---|---|---|---|
| Menor valor verificado | R$7.041,95 | R$507.020,40 | R$589.438,13 | R$82.417,73 |
| Mediana da nossa coleta | R$12.595,74 | R$906.893,28 | R$1.054.311,58 | R$147.418,30 |
| Maior valor verificado | R$15.777,76 | R$1.135.998,72 | R$1.320.658,82 | R$184.660,10 |
A coluna da direita é a que costuma faltar nas simulações caseiras: o reajuste sozinho vale mais do que um ano inteiro de mensalidades no cenário mediano. Refizemos essa conta por dois métodos independentes, somando mês a mês e por progressão geométrica, e os resultados coincidem.
O que entra antes da primeira aula?
Duas cobranças que não aparecem em nenhuma comparação de mensalidade. A primeira é a taxa de inscrição no processo seletivo, e ela é alta em medicina.
- R$750,00 na EMESCAM, conforme o item 3.2.1 do Edital 01/2027;
- R$350,00 na UVV, conforme o Edital 84/2026;
- R$289,00 na UNICID e na UNIPÊ, conforme as respectivas páginas de processo seletivo.
A segunda é a matrícula. O Edital 03/2026 da UniRV informa expressamente que o sistema de matrícula é semestral e corresponde à primeira mensalidade, pelo valor integral, sem desconto de pontualidade. Na prática, uma das seis parcelas de cada semestre é sempre mais cara.
Somadas, essas duas cobranças representam, ao longo de doze semestres, o equivalente a mais de meio ano de mensalidade em muitas instituições — e nenhuma delas entra na comparação que o candidato costuma fazer.
E o internato, quem paga?
O estudante. A Resolução CNE/CES nº 3/2025 trata de convênios e de supervisão no art. 32, mas não impõe à instituição qualquer responsabilidade por transporte, hospedagem ou custeio do aluno durante o internato.
Como o internato dura no mínimo dois anos e frequentemente ocorre em unidades conveniadas fora da cidade do campus — o § 1º do art. 32 da resolução admite até 25% da carga em instituições externas — deslocamento e moradia entram na conta do último terço do curso.
O Fies cobre quanto do total?
O teto semestral para medicina é de R$78.000,00, instituído pela Resolução CG-Fies nº 63/2025 — bem acima dos R$42.983,70 dos demais cursos. Ao longo de doze semestres, isso soma R$936.000,00 de financiamento possível.
Comparando com a nossa tabela: o teto cobre integralmente o cenário mediano e o de menor valor, e fica abaixo do cenário mais caro. Mas atenção ao que ele cobre — encargos educacionais, não taxa de inscrição, material ou moradia.
Vale também lembrar que financiamento não é desconto: é dívida com juros e prazo, nos termos das regras do Fies. Antes de aceitar, simule o custo total até a quitação, e não a parcela — e compare com o gasto do curso na calculadora de custo total.
Depois do diploma, a conta continua?
Continua, e por um bom tempo. A residência médica é etapa quase obrigatória na prática, e durante ela a remuneração é bolsa, não salário: o art. 4º da Lei nº 6.932/1981 fixa o valor de R$2.384,82 mensais para regime de até 60 horas semanais.
São R$28.617,84 por ano no piso da Lei nº 6.932/1981, num período em que a dívida do financiamento já costuma estar em amortização. É essa sobreposição — renda baixa e parcela alta ao mesmo tempo — que costuma surpreender quem planejou apenas até a formatura.
Uma última variável estrutural: o art. 8º do Decreto nº 12.456/2025 determina que medicina seja ofertada exclusivamente no formato presencial, e a autorização de novos cursos privados depende de chamamento público, hoje suspenso. Oferta travada tende a sustentar o preço — tratamos disso na análise das mensalidades por instituição.
Perguntas frequentes
Existe faculdade de medicina gratuita?
Existe, nas universidades públicas federais e estaduais, onde não há mensalidade. O acesso se dá por vestibular próprio ou pelo SISU com a nota do Enem, e a concorrência é a mais alta do país. Os custos remanescentes são de material, deslocamento e moradia, que não desaparecem.
O reajuste de 6% ao ano é o que as faculdades praticam?
É a premissa que adotamos para a simulação, e está declarada como tal. O reajuste real depende do contrato de cada instituição e da Lei nº 9.870/1999, que exige comunicação prévia do valor do ano seguinte. Refaça a conta com o percentual do seu contrato antes de decidir.
Dá para trabalhar durante o curso de medicina?
Na parte inicial, alguns estudantes conciliam. No internato, praticamente não: a Resolução CNE/CES nº 3/2025 exige no mínimo 35% da carga total nessa etapa, com duração mínima de dois anos e supervisão docente, em regime que ocupa o horário integral.
O valor da bolsa de residência é o mesmo em todo o país?
O piso federal está no art. 4º da Lei nº 6.932/1981 e vale para os programas custeados pelo governo federal. Instituições e estados podem complementar com recursos próprios, o que gera variação regional. Confirme o valor do programa específico antes de contar com ele no planejamento.
Como apuramos e o que esta análise não cobre
Fontes consultadas
- Resolução CNE/CES nº 3, de 30 de setembro de 2025 — novas diretrizes curriculares da graduação em Medicina: fixa 7.200 horas e exige oferta presencial
- Agência Gov — teto do Fies para Medicina — divulgação oficial do limite semestral de financiamento fixado pela Resolução CG-Fies nº 63/2025
- Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981 — dispõe sobre a residência médica: art. 4º fixa o valor da bolsa e art. 5º o limite de 60 horas semanais
- Decreto nº 12.456, de 19 de maio de 2025 — novo marco da educação a distância na graduação: define formatos de oferta, percentuais de presencialidade e cursos vedados
- Cadastro Nacional de Cursos e Instituições — e-MEC — base oficial onde se confere o credenciamento da instituição e o reconhecimento do curso
Consultamos cada uma destas fontes diretamente e verificamos os links em 21 de agosto de 2026. Quando a regra citada mudar na fonte oficial, atualizamos este texto e registramos a data da revisão.
