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Custos e Financiamento

Quanto custa se formar em medicina, do vestibular ao diploma

A conta completa da graduação em medicina: mensalidades com reajuste, taxas de vestibular, matrícula integral, internato e o que o Fies cobre de tudo isso.

Ilustração de um estetoscópio circundando um cofrinho, cercado por ícones de hospital e laboratório.

Somando apenas as mensalidades verificadas em editais e tabelas oficiais, com reajuste anual de 6%, formar-se em medicina custa de R$589 mil a R$1,32 milhão em doze semestres. O reajuste sozinho responde por R$82 mil a R$185 mil desse total. Taxas de vestibular, matrícula cobrada pelo valor cheio e custos do internato entram por fora dessa conta.

Quanto pesam só as mensalidades?

A Resolução CNE/CES nº 3/2025 fixa carga horária mínima de 7.200 horas para o curso e exige que o internato corresponda a pelo menos 35% desse total, com duração mínima de dois anos. Na organização praticada, isso são doze semestres — 72 mensalidades.

Mensalidades ao longo de 72 meses, com reajuste de 6% ao ano
Cenário Mensalidade inicial Sem reajuste Com reajuste Peso do reajuste
Menor valor verificado R$7.041,95 R$507.020,40 R$589.438,13 R$82.417,73
Mediana da nossa coleta R$12.595,74 R$906.893,28 R$1.054.311,58 R$147.418,30
Maior valor verificado R$15.777,76 R$1.135.998,72 R$1.320.658,82 R$184.660,10
Cálculo nosso sobre valores publicados em editais e tabelas oficiais das instituições. O reajuste de 6% ao ano é premissa declarada, não índice oficial.

A coluna da direita é a que costuma faltar nas simulações caseiras: o reajuste sozinho vale mais do que um ano inteiro de mensalidades no cenário mediano. Refizemos essa conta por dois métodos independentes, somando mês a mês e por progressão geométrica, e os resultados coincidem.

O que entra antes da primeira aula?

Duas cobranças que não aparecem em nenhuma comparação de mensalidade. A primeira é a taxa de inscrição no processo seletivo, e ela é alta em medicina.

  • R$750,00 na EMESCAM, conforme o item 3.2.1 do Edital 01/2027;
  • R$350,00 na UVV, conforme o Edital 84/2026;
  • R$289,00 na UNICID e na UNIPÊ, conforme as respectivas páginas de processo seletivo.

A segunda é a matrícula. O Edital 03/2026 da UniRV informa expressamente que o sistema de matrícula é semestral e corresponde à primeira mensalidade, pelo valor integral, sem desconto de pontualidade. Na prática, uma das seis parcelas de cada semestre é sempre mais cara.

Somadas, essas duas cobranças representam, ao longo de doze semestres, o equivalente a mais de meio ano de mensalidade em muitas instituições — e nenhuma delas entra na comparação que o candidato costuma fazer.

E o internato, quem paga?

O estudante. A Resolução CNE/CES nº 3/2025 trata de convênios e de supervisão no art. 32, mas não impõe à instituição qualquer responsabilidade por transporte, hospedagem ou custeio do aluno durante o internato.

Como o internato dura no mínimo dois anos e frequentemente ocorre em unidades conveniadas fora da cidade do campus — o § 1º do art. 32 da resolução admite até 25% da carga em instituições externas — deslocamento e moradia entram na conta do último terço do curso.

O Fies cobre quanto do total?

O teto semestral para medicina é de R$78.000,00, instituído pela Resolução CG-Fies nº 63/2025 — bem acima dos R$42.983,70 dos demais cursos. Ao longo de doze semestres, isso soma R$936.000,00 de financiamento possível.

Comparando com a nossa tabela: o teto cobre integralmente o cenário mediano e o de menor valor, e fica abaixo do cenário mais caro. Mas atenção ao que ele cobre — encargos educacionais, não taxa de inscrição, material ou moradia.

Vale também lembrar que financiamento não é desconto: é dívida com juros e prazo, nos termos das regras do Fies. Antes de aceitar, simule o custo total até a quitação, e não a parcela — e compare com o gasto do curso na calculadora de custo total.

Depois do diploma, a conta continua?

Continua, e por um bom tempo. A residência médica é etapa quase obrigatória na prática, e durante ela a remuneração é bolsa, não salário: o art. 4º da Lei nº 6.932/1981 fixa o valor de R$2.384,82 mensais para regime de até 60 horas semanais.

São R$28.617,84 por ano no piso da Lei nº 6.932/1981, num período em que a dívida do financiamento já costuma estar em amortização. É essa sobreposição — renda baixa e parcela alta ao mesmo tempo — que costuma surpreender quem planejou apenas até a formatura.

Uma última variável estrutural: o art. 8º do Decreto nº 12.456/2025 determina que medicina seja ofertada exclusivamente no formato presencial, e a autorização de novos cursos privados depende de chamamento público, hoje suspenso. Oferta travada tende a sustentar o preço — tratamos disso na análise das mensalidades por instituição.

Perguntas frequentes

Existe faculdade de medicina gratuita?

Existe, nas universidades públicas federais e estaduais, onde não há mensalidade. O acesso se dá por vestibular próprio ou pelo SISU com a nota do Enem, e a concorrência é a mais alta do país. Os custos remanescentes são de material, deslocamento e moradia, que não desaparecem.

O reajuste de 6% ao ano é o que as faculdades praticam?

É a premissa que adotamos para a simulação, e está declarada como tal. O reajuste real depende do contrato de cada instituição e da Lei nº 9.870/1999, que exige comunicação prévia do valor do ano seguinte. Refaça a conta com o percentual do seu contrato antes de decidir.

Dá para trabalhar durante o curso de medicina?

Na parte inicial, alguns estudantes conciliam. No internato, praticamente não: a Resolução CNE/CES nº 3/2025 exige no mínimo 35% da carga total nessa etapa, com duração mínima de dois anos e supervisão docente, em regime que ocupa o horário integral.

O valor da bolsa de residência é o mesmo em todo o país?

O piso federal está no art. 4º da Lei nº 6.932/1981 e vale para os programas custeados pelo governo federal. Instituições e estados podem complementar com recursos próprios, o que gera variação regional. Confirme o valor do programa específico antes de contar com ele no planejamento.

Como apuramos e o que esta análise não cobre

Fontes consultadas

  1. Resolução CNE/CES nº 3, de 30 de setembro de 2025 — novas diretrizes curriculares da graduação em Medicina: fixa 7.200 horas e exige oferta presencial
  2. Agência Gov — teto do Fies para Medicina — divulgação oficial do limite semestral de financiamento fixado pela Resolução CG-Fies nº 63/2025
  3. Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981 — dispõe sobre a residência médica: art. 4º fixa o valor da bolsa e art. 5º o limite de 60 horas semanais
  4. Decreto nº 12.456, de 19 de maio de 2025 — novo marco da educação a distância na graduação: define formatos de oferta, percentuais de presencialidade e cursos vedados
  5. Cadastro Nacional de Cursos e Instituições — e-MEC — base oficial onde se confere o credenciamento da instituição e o reconhecimento do curso

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