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Custos e Financiamento

Bolsa integral ou parcial do ProUni: qual compensa mais

A bolsa parcial tem nota de corte menor, mas metade da mensalidade continua sua. Veja quanto isso custa ao longo do curso e quando vale escolher cada uma.

Ilustração de uma balança pesando um prédio inteiro contra uma fração destacada em gráfico.

A bolsa parcial do ProUni cobre 50% da mensalidade e costuma ter nota de corte mais baixa que a integral, porque menos gente concorre a ela. A metade restante, porém, continua sendo sua por todos os anos do curso, com reajuste anual. A escolha entre as duas é uma conta, não uma preferência.

Quem pode concorrer a cada uma?

A diferença está no teto de renda. O art. 1º da Lei nº 11.096/2005 fixa até 1,5 salário mínimo por pessoa para a bolsa integral e até 3 salários mínimos para a parcial de 50%.

Tetos de renda por pessoa, com o salário mínimo de 2026
Bolsa Limite legal Em reais Cobertura da mensalidade
Integral 1,5 salário mínimo R$2.431,50 100%
Parcial 3 salários mínimos R$4.863,00 50%
Conversão nossa sobre o salário mínimo de R$1.621,00 fixado pelo Decreto nº 12.797/2025. Quem se enquadra na integral também se enquadra na parcial.

Repare na assimetria: quem está dentro do teto da integral também está dentro do da parcial, e portanto pode escolher onde disputar. O contrário não vale.

Por que o corte da parcial é mais baixo?

Porque o grupo elegível é maior e a demanda é menor. Quem cabe no teto de 1,5 salário mínimo da integral tende a disputá-la, já que a cobertura é total. Sobra menos gente competindo pelas vagas de 50%, e o último aprovado da chamada entra com média menor.

Isso cria uma tentação: candidatos com nota apertada olham a parcial como caminho mais seguro. É uma decisão legítima, mas precisa ser tomada com a conta na mão — porque a segurança na entrada custa dinheiro na saída.

Quanto custa a metade que sobra?

Muito mais do que a mensalidade sugere, porque os 50% não cobertos pela Lei nº 11.096/2005 incidem sobre todos os semestres e são reajustados todo ano. Simulamos um curso de 8 semestres com reajuste de 6% ao ano:

Desembolso da bolsa parcial em 4 anos, com reajuste de 6% ao ano
Mensalidade cheia Sua parte por mês Total em 48 meses Total sem reajuste
R$800,00 R$400,00 R$21.006,44 R$19.200,00
R$1.200,00 R$600,00 R$31.509,66 R$28.800,00
R$1.600,00 R$800,00 R$42.012,88 R$38.400,00
Simulação nossa sobre 48 mensalidades com reajuste composto de 6% ao ano. O reajuste é premissa declarada, não índice oficial.

Na linha do meio, a bolsa parcial de 50% prevista na Lei nº 11.096/2005 custa R$31.509,66 ao longo do curso — e o reajuste sozinho responde por R$2.709,66 disso. É esse o preço de entrar com nota menor.

Quando vale escolher a parcial?

A decisão muda conforme o caso, e há cinco situações em que a bolsa parcial é a escolha certa mesmo para quem cabe no teto de 1,5 salário mínimo da integral:

  • quando a sua renda ultrapassa o teto da integral — aí não há escolha;
  • quando a sua média está claramente abaixo do corte histórico da integral naquele curso;
  • quando o curso é curto, e a metade restante soma pouco no total;
  • quando existe desconto adicional da instituição sobre a parte não coberta;
  • quando a alternativa realista é não estudar naquele semestre.

O terceiro item é o mais subestimado. Em um tecnólogo de dois anos, a parte não coberta é metade do que seria em um bacharelado de quatro — e isso muda a decisão.

Como decidir com os seus números?

  1. Calcule a sua renda per capita bruta e veja em qual teto você se enquadra.
  2. Levante o corte histórico do curso, por instituição e por turno, nos dois tipos de bolsa.
  3. Compare a sua média ponderada com cada um desses cortes.
  4. Simule o desembolso da parcial até o fim do curso, com reajuste.
  5. Só então escolha onde inscrever a sua primeira e a sua segunda opção.

Para o primeiro passo, a conta correta está no guia de renda per capita do ProUni. Para o terceiro, use a calculadora de média ponderada. E para o quarto, a calculadora de custo total faz a conta com reajuste embutido.

Vale lembrar que o corte cai a cada chamada, como explicamos em como a nota de corte se forma. Desistir da integral na primeira chamada, sem esperar a segunda, é decisão precipitada com frequência.

Perguntas frequentes

Posso concorrer aos dois tipos de bolsa ao mesmo tempo?

O sistema do MEC permite escolher até duas opções, e elas podem ser de tipos diferentes de bolsa. Quem se enquadra no teto da integral pode usar uma opção para cada, o que é uma estratégia razoável: disputa a integral onde há chance e mantém a parcial como alternativa.

A bolsa parcial cobre exatamente metade da mensalidade?

Cobre 50% do valor da mensalidade, conforme a Lei nº 11.096/2005. O que ela não cobre são as cobranças que estão fora da mensalidade: matrícula quando cobrada à parte, material, taxas de laboratório e estágio. Some esses itens antes de estimar o desembolso real.

Posso trocar de bolsa parcial para integral depois?

Não é uma troca automática. A bolsa concedida é a do processo em que você foi selecionado. Mudança de situação de renda pode abrir caminhos em novas seleções, mas dentro do vínculo existente a regra é a da concessão original — confirme com a instituição e com o edital vigente.

O reajuste incide sobre a minha parte da bolsa parcial?

Incide, porque os 50% da bolsa são aplicados sobre a mensalidade vigente. Se a mensalidade sobe pelo reajuste que a Lei nº 9.870/1999 permite, a metade que cabe a você sobe na mesma proporção. É por isso que a simulação com reajuste é a única que mostra o desembolso real até o diploma.

Como apuramos e o que esta análise não cobre

Fontes consultadas

  1. Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005 — lei que criou o ProUni: público-alvo no art. 2º, limites de renda no art. 1º e proporção de bolsas no art. 5º
  2. Decreto nº 12.797/2025 — salário mínimo — fixa o salário mínimo usado como base dos limites de renda
  3. Portal Único de Acesso ao Ensino Superior — MEC — sistema oficial de inscrição, resultados e lista de espera
  4. Inep — Exame Nacional do Ensino Médio — autarquia responsável pelo Enem e pela metodologia de correção por Teoria de Resposta ao Item

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