Bolsa integral ou parcial do ProUni: qual compensa mais
A bolsa parcial tem nota de corte menor, mas metade da mensalidade continua sua. Veja quanto isso custa ao longo do curso e quando vale escolher cada uma.
Neste guia
- Quem pode concorrer a cada uma?
- Por que o corte da parcial é mais baixo?
- Quanto custa a metade que sobra?
- Quando vale escolher a parcial?
- Como decidir com os seus números?
- Perguntas frequentes
- Posso concorrer aos dois tipos de bolsa ao mesmo tempo?
- A bolsa parcial cobre exatamente metade da mensalidade?
- Posso trocar de bolsa parcial para integral depois?
- O reajuste incide sobre a minha parte da bolsa parcial?
- Como apuramos e o que esta análise não cobre
- Fontes consultadas
A bolsa parcial do ProUni cobre 50% da mensalidade e costuma ter nota de corte mais baixa que a integral, porque menos gente concorre a ela. A metade restante, porém, continua sendo sua por todos os anos do curso, com reajuste anual. A escolha entre as duas é uma conta, não uma preferência.
Quem pode concorrer a cada uma?
A diferença está no teto de renda. O art. 1º da Lei nº 11.096/2005 fixa até 1,5 salário mínimo por pessoa para a bolsa integral e até 3 salários mínimos para a parcial de 50%.
| Bolsa | Limite legal | Em reais | Cobertura da mensalidade |
|---|---|---|---|
| Integral | 1,5 salário mínimo | R$2.431,50 | 100% |
| Parcial | 3 salários mínimos | R$4.863,00 | 50% |
Repare na assimetria: quem está dentro do teto da integral também está dentro do da parcial, e portanto pode escolher onde disputar. O contrário não vale.
Por que o corte da parcial é mais baixo?
Porque o grupo elegível é maior e a demanda é menor. Quem cabe no teto de 1,5 salário mínimo da integral tende a disputá-la, já que a cobertura é total. Sobra menos gente competindo pelas vagas de 50%, e o último aprovado da chamada entra com média menor.
Isso cria uma tentação: candidatos com nota apertada olham a parcial como caminho mais seguro. É uma decisão legítima, mas precisa ser tomada com a conta na mão — porque a segurança na entrada custa dinheiro na saída.
Quanto custa a metade que sobra?
Muito mais do que a mensalidade sugere, porque os 50% não cobertos pela Lei nº 11.096/2005 incidem sobre todos os semestres e são reajustados todo ano. Simulamos um curso de 8 semestres com reajuste de 6% ao ano:
| Mensalidade cheia | Sua parte por mês | Total em 48 meses | Total sem reajuste |
|---|---|---|---|
| R$800,00 | R$400,00 | R$21.006,44 | R$19.200,00 |
| R$1.200,00 | R$600,00 | R$31.509,66 | R$28.800,00 |
| R$1.600,00 | R$800,00 | R$42.012,88 | R$38.400,00 |
Na linha do meio, a bolsa parcial de 50% prevista na Lei nº 11.096/2005 custa R$31.509,66 ao longo do curso — e o reajuste sozinho responde por R$2.709,66 disso. É esse o preço de entrar com nota menor.
Quando vale escolher a parcial?
A decisão muda conforme o caso, e há cinco situações em que a bolsa parcial é a escolha certa mesmo para quem cabe no teto de 1,5 salário mínimo da integral:
- quando a sua renda ultrapassa o teto da integral — aí não há escolha;
- quando a sua média está claramente abaixo do corte histórico da integral naquele curso;
- quando o curso é curto, e a metade restante soma pouco no total;
- quando existe desconto adicional da instituição sobre a parte não coberta;
- quando a alternativa realista é não estudar naquele semestre.
O terceiro item é o mais subestimado. Em um tecnólogo de dois anos, a parte não coberta é metade do que seria em um bacharelado de quatro — e isso muda a decisão.
Como decidir com os seus números?
- Calcule a sua renda per capita bruta e veja em qual teto você se enquadra.
- Levante o corte histórico do curso, por instituição e por turno, nos dois tipos de bolsa.
- Compare a sua média ponderada com cada um desses cortes.
- Simule o desembolso da parcial até o fim do curso, com reajuste.
- Só então escolha onde inscrever a sua primeira e a sua segunda opção.
Para o primeiro passo, a conta correta está no guia de renda per capita do ProUni. Para o terceiro, use a calculadora de média ponderada. E para o quarto, a calculadora de custo total faz a conta com reajuste embutido.
Vale lembrar que o corte cai a cada chamada, como explicamos em como a nota de corte se forma. Desistir da integral na primeira chamada, sem esperar a segunda, é decisão precipitada com frequência.
Perguntas frequentes
Posso concorrer aos dois tipos de bolsa ao mesmo tempo?
O sistema do MEC permite escolher até duas opções, e elas podem ser de tipos diferentes de bolsa. Quem se enquadra no teto da integral pode usar uma opção para cada, o que é uma estratégia razoável: disputa a integral onde há chance e mantém a parcial como alternativa.
A bolsa parcial cobre exatamente metade da mensalidade?
Cobre 50% do valor da mensalidade, conforme a Lei nº 11.096/2005. O que ela não cobre são as cobranças que estão fora da mensalidade: matrícula quando cobrada à parte, material, taxas de laboratório e estágio. Some esses itens antes de estimar o desembolso real.
Posso trocar de bolsa parcial para integral depois?
Não é uma troca automática. A bolsa concedida é a do processo em que você foi selecionado. Mudança de situação de renda pode abrir caminhos em novas seleções, mas dentro do vínculo existente a regra é a da concessão original — confirme com a instituição e com o edital vigente.
O reajuste incide sobre a minha parte da bolsa parcial?
Incide, porque os 50% da bolsa são aplicados sobre a mensalidade vigente. Se a mensalidade sobe pelo reajuste que a Lei nº 9.870/1999 permite, a metade que cabe a você sobe na mesma proporção. É por isso que a simulação com reajuste é a única que mostra o desembolso real até o diploma.
Como apuramos e o que esta análise não cobre
Fontes consultadas
- Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005 — lei que criou o ProUni: público-alvo no art. 2º, limites de renda no art. 1º e proporção de bolsas no art. 5º
- Decreto nº 12.797/2025 — salário mínimo — fixa o salário mínimo usado como base dos limites de renda
- Portal Único de Acesso ao Ensino Superior — MEC — sistema oficial de inscrição, resultados e lista de espera
- Inep — Exame Nacional do Ensino Médio — autarquia responsável pelo Enem e pela metodologia de correção por Teoria de Resposta ao Item
Consultamos cada uma destas fontes diretamente e verificamos os links em 21 de agosto de 2026. Quando a regra citada mudar na fonte oficial, atualizamos este texto e registramos a data da revisão.
